Ética profissional da psicologia em tempos de Corona Vírus

Ética profissional da psicologia em tempos de Corona Vírus

Como psicóloga atuante há 24 anos me coloco a refletir diante do nosso cenário atual. O Conselho Federal de Psicologia (CFP) abre aos profissionais de psicologia a possibilidade de expandir seus atendimentos de forma online permitindo que os psicólogos(as) prestem atendimento à distância sem a aprovação prévia do cadastro e-Psi nos meses de março e abril com objetivo de evitar o alastramento da COVID 19.

A Pandemia convida a todos os profissionais da área a estarem ativos nesse momento como facilitador e atenuador de todos os sintomas e conflitos psicológicos que o isolamento social, mudança de rotina e planos podem trazer às pessoas. Façamos com consciência e responsabilidade.

Vemos infinitas divulgações em mídias sociais de profissionais se colocando à disposição da comunidade para contribuir, como eu mesma o fiz. Ato digno e honrável. Mas, temos que nos atentar a uma questão importante: a ética e o respeito a nossa profissão e ao ser humano da qual estamos tratando. E aqui pauso e faço uma breve pontuação: não falo apenas de psicólogos e profissionais da saúde, estendo a todos.

Diz o CFP que nós psicólogos “temos a obrigação de “Prestar serviços profissionais em situações de calamidade pública ou de emergência, sem visar benefício pessoal”, conforme o nosso Código de Ética Profissional do Psicólogo, em seu Artigo 1º, onde se listam os deveres fundamentais das(os) psicólogas(os). Contudo, a oferta destes serviços, mesmo considerando toda a sua potência e desejo de colaboração e solidariedade com as instâncias públicas e promotoras de saúde, não pode se furtar ao fiel seguimento das prerrogativas éticas que orientam nossa profissão.”

Novas estratégias e ofertas começam a surgir. Sempre muito válido e bem-vindo. Mas, é preciso ter discernimento, muita atenção e cuidado, uma vez que cada ser humano é único e absorve tudo que estamos vivenciando de forma distinta, apesar de existir um contexto social e coletivo que nos coloca em uma situação muito parecida.

Quero atentar aqui que existem diferentes tipos de atendimentos e precisamos nos dar conta disso, oferecendo aquilo que realmente estamos habilitados a realizar. Situações de urgência e emergência (acolhimento imediato em situação de crise) devem ser tratadas e ou direcionadas para profissional ou equipes habilitadas para manejo de crise. Se não me sinto pronta para tal é preciso fazer os devidos encaminhamentos. Não damos conta de todo tipo de demanda e nem temos esse poder.

Para aqueles que já estão em psicoterapia pouca coisa muda; já tem alguém que o conhece e o acompanha e poderá continuar nessa caminhada online. Mas, e aqueles que não estão em atendimento e precisam de suporte e orientação? O profissional da psicologia tem todo aparato para realizar esta atividade, desde que deixe claro a diferenciação do trabalho que está realizando e cumpra com a ética da profissão, garantindo ainda a qualidade da sua escuta e suporte oferecido.  Existe um valor em cada profissão e precisamos estar conscientes quanto as nossas contribuições neste momento, inclusive monetária.

Devemos levar em consideração o sigilo e confidencialidade usando em atendimentos online especial atenção as ferramentas utilizadas para garantir este quesito, algo que se aplica também a serviços como plantões e aconselhamentos psicológicos, muito bem vindos nesse momento. É preciso que os atendimentos ocorram em espaços adequados, garantindo privacidade do cliente e escopo bem acordado. Em quaisquer modalidades desses serviços, é obrigatório especificar quais são os recursos tecnológicos utilizados para garantir o sigilo das informações e avisar a pessoa que será atendida sobre isso. Para todo tipo de serviço psicológico existe um regulamento que deve ser conhecido pelo profissional e pelo cliente, assegurando a qualidade do serviço psicológico prestado.

Cito novamente o CFP que nos diz: “Inclui-se, aqui, a divulgação adequada de nossos serviços, que não se constituem em ofertas genéricas e sensacionalistas de acolhimento, mas em processos de escuta qualificada, orientação precisa e direcionamento conforme a ciência e a técnica psicológicas, em consonância com os parâmetros legais (e, especialmente, sanitários), considerando o estado de crise atual e as relações de poder em que nos encontramos.”

 

E ressalto, prestação de serviços probono a comunidade são bem recebidas, desde que haja comprometimento e garantia da gratuidade do trabalho, deixando muito claro na divulgação e, com cada pessoa atendida, sobre o escopo do trabalho a ser desenvolvido. Por exemplo, caso eu ofereça uma sessão de acolhimento e a pessoa queira outra nos próximos dias, preciso deixar claro se esta será ou não cobrada e qual o valor praticado. Tudo precisa ser acordado e esclarecido previamente. Pessoas não precisam de mais frustações ou impedimentos nesse momento.

 

Estamos falando e cuidando de seres humanos! Sejamos responsáveis com nossa atuação. Continuemos fazendo nosso melhor para toda comunidade com a qual podemos colaborar!

 

 



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