Lidando com estresse e tornando-se genuinamente resiliente

Lidando com estresse e tornando-se genuinamente resiliente

Estresse é uma reação do organismo que ocorre quando ele precisa lidar com situações de alerta, conflito, adaptações e outras experiências que exijam grande esforço emocional, cognitivo e físico. Certa dose de estresse pode ser positiva, uma vez que nos permite entrar em movimento, com ganho de energia, motivação e produtividade, tornando-se construtiva. Em emergências, a adrenalina nos deixa atentos e nos faz cumprir com aquilo que precisamos realizar. Vale lembrar que o estresse e a forma como se manifesta variam de pessoa para pessoa.

Quando contínuas e intensas, situações de estresse provocam tensões e esgotamentos que podem causar danos físicos (dores, cansaço, dificuldades de memória, exaustão) e psicológicos (ansiedade, pânico, depressão) danos estes que podem até se tornar patológicos, caso limites sejam ultrapassados, afetando a qualidade de vida e dos relacionamentos devido a colapsos graduais.

A matéria “Covid faz casos de estresse e ansiedade mais que dobrarem no Brasil” (revista Exame,  7 de maio, 2020), revela que a ansiedade, o estresse e a depressão mais do que dobraram com o advento da pandemia. Vive-se em estado de alerta, com sucessões de eventos que podem se tornar prejudiciais à nossa saúde. O isolamento coletivo, por si só, já é condição agressiva à psique humana, visto que o ser humano é um ser social. Acrescenta-se a isso um vírus invisível, que nos torna mais vulneráveis, trazendo medo, incertezas, mudanças, excesso de informações (principalmente negativas) e preocupações adicionais que se unem à carga diária de soluções que temos de tomar.  

Altos índices de estresse já eram fatores preocupantes em nossa sociedade e organizações. Poucas empresas apresentam programas para cuidar da saúde integral das pessoas, mesmo sabendo que os transtornos mentais e emocionais são a segunda causa de afastamento e licenças nas organizações, sem falar na queda de performance, desempenho e resultado.

Temos ouvido muito sobre a necessidade de sermos resilientes. A respeito, vale citar  a matéria “O mito da resiliência” (revista VocêS/A , 7 de maio, 2020), sobre o cuidado que se deve ter ao fazer esforços excessivos para aguentar situações de alta pressão, que podem trazer consequências avassaladoras para os indivíduos. Atualmente, existe uma crença que diz “se formos resilientes, conseguiremos nos adaptar às mudanças e ter energia suficiente para superar as dificuldades”. Vejamos: ser resiliente é poder sair fortalecido de situações adversas de forma a aprender com ela e se desenvolver a partir dela . Se há pressão constante, em demasia, a capacidade de ser resiliente pode perder força, pois corre-se o risco de ultrapassar limites físicos e mentais. Não é à toa que, cada vez mais, crescem os índices de Burnout. Nesse contexto, o respeito ao ser humano, a ética e a construção de uma cultura organizacional mais humanizada começam a surgir a fim de ressignificar o mito do ser resiliente. Curadoria e despressurização precisam ser pensadas de modo mais efetivo pelos próprios indivíduos e pelas organizações. Como exemplo, a Ambev, que criou uma diretoria de saúde mental e emocional para colaboradores como gestão de pessoas.

O atender a necessidades disruptivas nos assedia incessantemente. Até onde devemos ir? Onde estão os limites, o autocuidado? Quanto vale a nossa saúde física, mental e emocional?

Para responder a essas questões de forma individual e auto-observar sintomas do que pode ser nocivo, é preciso se desligar do automatismo e buscar autoconhecimento e consciência, reconhecendo e identificando sensações, emoções, necessidades e valores para agir de acordo com eles. É nossa responsabilidade estar presente, genuinamente, no hoje, assumir posicionamentos conscientes, fazendo escolhas de forma a responder, no presente, aquilo que nos manterá saudáveis de forma integral e trará força e autodesenvolvimento. Lembre: tudo está interligado – corpo, mente, psíquico, social. Cada um desses aspectos pode desajustar e interferir no outro.

Aprender a manejar e gerenciar situações de estresse se faz necessário para que possamos recuperar o equilíbrio após estados de alerta mais duradouros e, quem sabe, sermos resilientes. Para isso, seguem alguns pontos a serem cuidados:

  • autoconhecimento: atenção aos sinais do corpo e da mente. A auto-observação é muito importante para prevenir que se ultrapasse o limite pessoal e evitar a exposição a riscos. Negar situações em que há excesso pode trazer consequências sérias a você e, automaticamente, às pessoas com quem você convive;
  • conscientização: identificar emoções, sentimentos – assim como pensamentos que podem atrapalhar a busca de soluções e bem-estar nos ajuda a cuidar deles. Vale dedicar-se a detectar perturbações e situações que o levam ao desequilíbrio emocional e físico, reconhecer ameaças à sua saúde física, mental, emocional e social. Perceba seus limites e respeite-os. Isso trará benefícios a você e às pessoas com quem você se relaciona;
  • presença, atenção plena e calma interna para saber navegar: imunize-se. Meditar, cujos benefícios neurológicos e psicológicos são comprovados cientificamente – é um dos recursos que favorecem a nossa presença ante nós mesmos. Cultive pensamentos e práticas relaxantes. Comprometa-se com o que lhe faz bem. Procure manter ritmos equilibrados e constantes. Isso depende só de você;
  • responsabilização: arque com suas escolhas e posicione-se com responsabilidade e liberdade. Excessos, permissões sem limites, concessões consigo mesmo têm consequências e devemos arcar com todas elas, sem se culpabilizar ou se fazer vítima perante os outros, as situações e instituições;
  • faça atividades de lazer e de higiene mental como forma de descompressão. Seja flexível em situações que assim o permitam.  Construa ações prazerosas na sua rotina, que sejam desafiadoras e motivadoras. Traga para seu dia a dia experiências que possam levar a aprendizados, mesmo que de maneira informal.

Vale lembrar: se precisar, peça ajuda. Se você não estiver bem, não desempenhará suas funções com qualidade, e sua eficiência diminuirá. Então, respeite a si mesmo.



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