Lidando com stress e tornando-se genuinamente resiliente

Lidando com stress e tornando-se genuinamente resiliente

Stress é uma reação do organismo que ocorre quando ele precisa lidar com situações de alerta, conflito, adaptações e outras experiências que exijam um grande esforço emocional, cognitivo e físico. Certa dose de stress pode ser positiva, uma vez que nos permite entrar em movimento, com ganho de energia, motivação e produtividade, tornando-se construtiva. Em emergência, a adrenalina nos deixa atentos e nos faz cumprir com aquilo que precisamos fazer. Vale lembrar que, o stress e a forma como se manifesta varia de pessoa para pessoas.

Quando contínuo e intenso situações de stress provocam tensões e esgotamentos que podem causar danos físicos (dores, cansaço, dificuldade de memória, exaustão, dentre muitas outras) e psicológicos (ansiedade, pânico, depressão, dentre outros) e até tornar-se patológico, quando limites são ultrapassados, afetando a qualidade de vida e dos relacionamentos por conta de um colapso gradual.

Em matéria na Revista Exame de maio 2020, revela que ansiedade, stress e depressão mais do que dobraram com o advindo da pandemia. Estamos vivendo em estado de alerta com sucessões de eventos que podem se tornar prejudiciais a nossa saúde. O isolamento do coletivo por si só já é condição agressiva a psique humana, uma vez que o ser humano é um ser social. Acrescenta-se a isso, um vírus invisível que nos torna mais vulneráveis, trazendo medo, incertezas, mudanças, excesso de informações (principalmente negativas) e preocupações adicionais, que se unem a carga diária de soluções que temos que tomar.  

Altos índices de stress já era um fator preocupante em nossa sociedade e organizações. Poucas empresas apresentam programa para cuidar da saúde integral das pessoas, mesmo sabendo que os transtornos mentais e emocionais são a segunda causa de afastamento e licenças nas organizações, sem falar na queda de performance, desempenho e resultado.

Temos ouvido muito sobre a necessidade de sermos resilientes. E aqui cito outra matéria, da revista Você SA sobre o cuidado que devemos ter ao fazermos esforços excessivos para aguentar situações de alta pressão, uma vez que estes podem trazer consequências avassaladoras para os indivíduos.  Nos fazem acreditar que, se formos resilientes, conseguiremos nos adaptar às mudanças e ter energia suficiente para superar as dificuldades. Vejamos, ser resiliente é podermos sair fortalecidos de situações adversas de forma a aprender com ela e se desenvolver. Se há pressão constante em demasia, a capacidade de ser resiliente pode perder força, uma vez que, corremos o risco de ultrapassar nossos limites físicos e mentais. Não é à toa que cresce cada dia mais índices de Burnout. Desta forma, o respeito ao ser humano, a ética e a construção de uma cultura organizacional mais humanizada começam a surgir a fim de ressignificar o mito do ser resiliente. Curadoria e despressurização precisam ser pensadas de forma mais efetiva pelos próprios indivíduos e pelas organizações. E aqui cito exemplo da Ambev, que criou diretoria de saúde mental e emocional dos colaboradores como gestão de pessoas.

Somos assediados incessantemente por atender necessidades disruptivas. Até onde devemos ir? Onde estão os limites e autocuidado? O quanto vale sua saúde física, mental e emocional?

Para responder a estas questões, de forma individual, e auto observar sintomas daquilo que pode ser nocivo, é preciso sair do automatismo e buscar autoconhecimento e consciência, reconhecendo e identificando nossas sensações, emoções, necessidades e valores de forma a agir de acordo com eles. É nossa responsabilidade estarmos presente genuinamente no hoje, assumir um posicionamento consciente fazendo escolhas de forma a responder no presente, aquilo que nos manterá saudáveis de forma integral e trará força e autodesenvolvimento. Lembre-se, tudo está interligado: corpo, mente, psíquico, social e um pode desajustar e interferir no outro.

Aprender a manejar e gerenciar situações de stress se faz necessário para que possamos recuperar o equilíbrio após um estado de alerta mais duradouro e, quem sabe, sermos resilientes. E para isso, seguem alguns pontos a serem cuidados:

  • Autoconhecimento. Atenção aos sinais do corpo e da mente. A auto-observação é muito importante para prevenir que se ultrapasse o limite pessoal e evitar a exposição a riscos. Negar situações onde há excesso pode trazer consequências sérias para você e, automaticamente, para as pessoas de seu convívio.
  • Conscientização. Identificar emoções, sentimentos nos ajuda a cuidar deles, assim como pensamentos que podem atrapalhar a busca de soluções e bem-estar. Vale dedicar-se a detectar as perturbações e situações que podem tirar você do equilíbrio emocional e físico, reconhecendo, assim, ameaças a sua saúde física, mental, emocional e social. Perceba seus limites e respeite-os, isso trará benefícios a você e as suas relações.
  • Presença, atenção plena e calma interna para saber navegar. Imunize-se. Meditar (comprovado cientificamente os benefícios neurológicos e psicológicos) é um dos recursos que favorece a presença diante de nós mesmos. Cultive pensamentos e práticas relaxantes. Comprometa-se com o que te faz bem. Procure manter ritmo equilibrado e constante. Isso depende só de você.
  • Responsabilização. Arque com suas escolhas e posicione-se com responsabilidade e liberdade. Excessos, permissões sem limites, concessões consigo próprio tem consequências e devemos arcar com todas elas, sem culpabilizar ou fazer -se de vítima frente aos outros, situações e instituições.
  • Faça atividades de lazer e de higiene mental como forma de descompressão. Seja flexível em situações que assim o permita.  Construa ações prazerosas dentro de sua rotina, que seja desafiante e te motive. Traga para seu dia a dia experiências que possam trazer aprendizado mesmo que de maneira informal.

Vale lembrar: Se precisar, peça ajuda. Se você não estiver bem, não desempenhará suas funções com qualidade e sua eficiência diminuirá, então, respeite a si mesmo.



Conecte-se. Inspire-se. Interaja.

× Fale com a VE