Veronica Esteves | Revista Coaching Brasil: Coaching e Psicoterapia: suas intervenções
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Revista Coaching Brasil: Coaching e Psicoterapia: suas intervenções

Revista Coaching Brasil: Coaching e Psicoterapia: suas intervenções

Por traz de cada conduta profissional existe um conceito de Homem que permeia sua atuação e, estes entendimentos vêm carregados de conhecimento do campo teórico da psicologia, assim como de outras ciências que conversam entre si e atuam para colaborar com o saber complexo do que é o humano.

A psicologia e suas teorias estudam o comportamento e funções mentais dos indivíduos, trazendo suas contribuições para o exercício de profissões que trabalham com a dinâmica humana e, propiciam espaço de aprendizagem, autoconhecimento e desenvolvimento. Sabemos que o ser humano é indivisível, único, e, portanto, suas múltiplas dimensões surgirão a todo momento, inclusive, em trabalhos que têm como propósito maior contribuir para o crescimento de pessoas e equipes em diversos ambientes profissionais. E aqui, pode ser o ponto onde a psicologia e o coaching se entrelaçam.

Falemos sobre psicoterapia, coaching e suas intervenções.

Psicoterapia (modalidade da psicologia) e coaching têm, cada uma delas, suas particularidades e, a partir de foco e métodos diferenciados, podem ampliar o campo de visão e ação do sujeito dentro das potencialidades que cada um apresenta.

A psicoterapia foca em questões psico-socio-emocionais, que apenas o profissional capacitado pode realizar, a saber, psicólogos. Normalmente a razão para uma pessoa buscar ou ser indicada a fazer terapia é trabalhar conteúdos emocionais que trazem um desequilíbrio ou impedem a pessoa de caminhar frente à vida; ou quando há distúrbios e transtornos psíquicos específicos que interferem diretamente na atuação dessa pessoa no mundo que a cerca.  Tem como foco central promover saúde mental, propiciando ao sujeito maneiras de lidar com sua própria vida, em todos os âmbitos, e os dilemas que ela traz. Por isso, psicoterapia tende a ser mais profunda e atravessa a vida da pessoa como um todo abordando questões do presente, passado e futuro, uma vez que seus objetivos são amplos e desenhados, geralmente, durante as sessões junto do cliente.

Já o coaching tem como ponto de partida o estabelecimento de objetivos específicos, mensuráveis e metas claras a serem alcançadas, promovendo o aprimoramento do indivíduo. Por ser mais focado e não trabalhar as “adjacências” psicoterapêuticas, o processo costuma ser mais rápido envolvendo as pessoas de forma objetiva no estabelecimento de alvos bem definidos, bem como na identificação de metas. Para isso, mensura resultados e performance, propiciando o desenvolvimento de habilidades comportamentais específicas voltadas para o alcance de resultados. O coaching leva o coachee a transpor suas realizações e conquistas.

Para se realizar um trabalho de coaching, o profissional deve partir do princípio que a pessoa tem condições de caminhar em sua vida apesar de poder em determinados momentos apresentar certos entraves. Porém, estes não impedem a pessoa de encará-los e superá-los sem maiores dificuldades. Portanto, seu foco não está em trabalhar junto do cliente questões emocionais profundas.

Neste ponto é preciso que haja discernimento dos bons profissionais de coaching para identificar ou não a necessidade de psicoterapia (ou qualquer outra indicação necessária), encaminhar, saber interromper o processo de coaching e orientar seu cliente baseando-se na ética profissional, na comunicação direta, consciente das competências que cabe a cada profissional e suas intervenções.

Mas até onde ir quando o processo de coaching esbarrar em questões psicológicas? Certamente conteúdos de ordem emocional surgirão e podem ser desbloqueados quando relacionados ao objetivo e metas estipuladas pelo cliente. Sabemos que, armadilhas psicológicas podem atravancá-lo em direção ao seu objetivo. Algumas ferramentas de coaching são usadas para permitir que o indivíduo ande de um ponto A para o B. Se obtiver êxito, seguem com o processo.

Entre psicoterapia e coaching o cuidado está na condução e diferenciação das responsabilidades exercidas. Explico melhor. Psicoterapeutas que são coaches precisam separar bem e ter claro seus papéis em cada trabalho executado. Jamais se faz terapia em processos de coaching, assim como coaches não recebem formação e não estão aptos a serem psicoterapeutas.  É sempre muito válido entender as delimitações de cada intervenção, e na dúvida, psicoterapeutas, que também são coaches, devem evitar atender o mesmo cliente em ambos os processos. E ainda, caso o cliente opte pelas duas intervenções concomitantemente, com certeza, os profissionais deverão ser distintos. É de suma importância entender o quão benéfico é para o cliente seguir os dois trabalhos ao mesmo tempo. É preciso também avaliar casos onde o cliente interrompeu o processo de coaching e quer iniciar psicoterapia com o mesmo profissional. Nem sempre esta decisão é a mais adequada. Enfim, não existem regras, cada caso é um caso e serão definidos, de acordo com cada indivíduo e suas adjacências, respeitando sempre as competências e ética profissional.

E por psicoterapia e coaching serem um estilo de conversa profissional, embasada em conceitos teóricos sobre a dinâmica humana, na relação entre cliente e profissional deve existir ambiente de confiança, empatia, comunicação direta e escuta ativa. Sempre válido entender o momento e o mundo de cada pessoa de forma a compreender, junto com ela, como atender as suas necessidades de desenvolvimento, algo que se torna relevante em todas as áreas dedicadas ao desenvolvimento humano.  Estamos falando aqui sobre o olhar humano para cada sujeito da qual nos deparamos de forma a permitir que ele caminhe pela vida com conscientização e responsabilização.

Artigo Publicado na revista Coaching Brasil 2019/AGOSTO/2019

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