Saúde mental nos espaços sociais e organizações

A saúde mental tem ganhado cada vez mais destaque na Sociedade Brasileira. Começamos a derrubar mitos em torno do tema, que passa a ser narrado com mais naturalidade e engajamento nos diversos âmbitos sociais. Como consequência, ampliam-se espaços de cuidado e apoio. 

Não estamos falando de “modismos” sobre bem-estar e vida saudável, mas de algo mais profundo: olhar para o indivíduo e permitir que ele se torne cada vez mais responsável pela sua saúde integral em todos os espaços nos quais atua.

Falar sobre saúde mental nos espaços sociais e organizações inclui olhar as pessoas a partir de uma escuta ativa de forma a ampliar consciência e autoconhecimento. O foco está em ações que trazem aprendizados, transformam e promovem uma vida harmônica e significativa para cada pessoa. Falar com empatia, transparência e segurança nos possibilita agir de forma proativa e preventiva ante as pessoas e relações disfuncionais. 

Refiro-me à educação para a saúde mental por meio de um olhar mais humanizado em relação a vivências, desafios, vulnerabilidades enfrentadas pelas pessoas no dia a dia. Algo que nos possibilita a compreensão integral do que é escolhido pelos indivíduos (ou grupos específicos) e determinado por eles como bem-estar, qualidade, estilo de vida, experiências desejadas.

Vale esclarecer, em um parágrafo que “bem-estar” é algo difícil de definir e atingir, pois todos possuímos dinâmicas interna e externa em constante movimento. Sentir-se bem é um estado do qual procuramos nos aproximar.

 “O estado de saúde não é certamente um estado de calma, de ausência de movimento, de conforto, de bem-estar e ociosidade. É algo que muda constantemente…” (Dejours, Christophe, médico do trabalho, psiquiatra e psicanalista)**

Falar sobre saúde mental é dialogar com aquilo que permeia a relação que estabelecemos conosco e com o mundo que nos cerca. As pessoas são responsáveis, de forma ativa, pela própria saúde. Não se pode substituir estes autores. Atenção externa e inserção de programas que colaborem com a saúde são valiosíssimas, pois permitem que cada um de nós possa encontrar espaços abertos e liberdade de organizar nossas vidas.

Criar diálogos dentro das organizações (não limitados ao RH) e em outros espaços sociais propicia segurança psicológica e confiança para as pessoas olharem e falarem sobre si por meio de conversas facilitadoras e acolhedoras. Possibilita, também, a condução de encaminhamentos para espaços e relações disfuncionais. De modo individual, favorece cuidados adequados àqueles que precisam. Neste movimento, vemos empresas e pessoas a favor da psicoterapia – oferecendo-a no quadro de benefícios de seus colaboradores –, viabilizando rodas de conversas abarcando questões que expandem o ambiente organizacional.

Cuidar do Humano e fortalecê-lo em suas especificidades torna-se exponencial. É favorável o estímulo ao autocuidado de forma que as pessoas possam visitar a si mesmo com mais constância e consciência, a fim de conduzirem suas vidas com sentido e coerência, contribuindo, ainda, para o estabelecimento de relações mais ricas, satisfatórias e produtivas.

Nas organizações, a compreensão, o diálogo, a capacidade de ouvir e reconhecer as pessoas e suas necessidades para cuidarem de sua saúde física, mental e emocional pode representar um divisor de águas na relação entre quem tenta ajudar e quem precisa de ajuda. A oferta de benefícios (e incluo aqui o atendimento psicológico) e boas políticas de saúde e segurança, que dão suporte para que os indivíduos cuidem de sua saúde, é favorável a todos.

Nota **Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, n.54 – vol 14, 1986.

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